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1. Objetivo

O objetivo deste laudo é explicar as condições de utilização e segurança das estruturas de armazenagem Bertolini instaladas nas dependências da empresa contratante, avaliadas em vistoria realizada em 30/08/2022. O Analista de Pós-vendas Diego Garcia Vinge realizou este laudo técnico e a vistoria seguindo as recomendações da Norma ABNT NBR 15524-2/2007.

2. Objeto

O objeto de análise deste laudo são as estruturas de armazenagem do tipo "Porta Paletes e Mezanino" Bertolini, referentes aos projetos "3446-10-12, 0688-03-15 e 19039-07". Em anexo, segue o projeto das áreas "1 e 2", adequadas pela equipe de inspeção, juntamente com a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), validando estes documentos.

3. Vistoria

De acordo com a norma NBR 15524-2/2007, item 9, a inspeção das estruturas de armazenagem é essencial para garantir a segurança da operação e determinar a necessidade de troca ou manutenção das mesmas, ou até mesmo a evacuação da área de armazenagem em casos extremos. É de total responsabilidade do usuário manter o ambiente de trabalho seguro para seus funcionários, e segundo a norma, as inspeções anuais devem ser realizadas por pessoas habilitadas contratadas por ele.

Em sistemas de armazenagem, algumas irregularidades estruturais podem ser visualizadas como sinais de alerta, tais como deformações acentuadas, desníveis e dificuldades de operação. A norma NBR 15524-2/2007, item 9.2, recomenda que os usuários observem que qualquer dano nas estruturas representa uma redução de segurança ou até mesmo a inutilização da mesma. O colapso total ou parcial de uma estrutura pode não ocorrer imediatamente após um dano grave, podendo levar até 24 horas após o dano inicial. Esse tempo depende da severidade do dano, da sua localização e da capacidade de carga da estrutura, entre outros fatores.

3.1 Avaliação dos danos na estrutura

3.1.1 Colunas

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2 /2007, os danos frontais em colunas não podem exceder 3 mm de deformação, enquanto os danos laterais não devem exceder 5 mm de deformação. As figuras abaixo demonstram, na prática, a maneira de medir esses danos na estrutura.

3.1.2 Travessas e Diagonais

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, os danos nos sistemas de travamento do montante, denominados de travessas e diagonais, não devem exceder 10 mm de deformação em qualquer direção. O departamento de engenharia da Bertolini S/A limitou a quantidade de peças danificadas em duas por montante. Caso essa quantidade seja excedida, o montante será classificado como risco médio e deve ser descarregado assim que possível. A Figura a seguir apresenta a maneira de medição desses danos na estrutura.

3.1.3 Longarinas

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2 /2007, as deformações nos elementos de sustentação dos paletes armazenados, denominados de longarinas, não devem exceder (L/200), ou seja, não devem ser maiores que o comprimento total da longarina dividido por duzentos. A figura abaixo apresenta a maneira de medir a deformação nesses elementos.

3.2 Avaliação do Prumo

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, a estrutura não pode apresentar um deslocamento de Cx maior que +/- 10 ou (H/350) para classes III e +/- 10 ou (H/500) para classes I e II. Escolha o maior valor.

Classe I: instalações de corredor muito estreito em que, durante a operação de carga e descarga, o operador da empilhadeira sobe e desce junto com a unidade de carga.

Classe II: instalações de corredor muito estreito em que, durante a operação de carga e descarga, o operador da empilhadeira fica no nível do piso e sem sistema auxiliar de posicionamento.

Classe III: instalações de corredor largo ou estreito em que são utilizadas empilhadeiras contrabalanceadas, de combustão ou elétricas, sem sistema auxiliar de posicionamento.

3.3 Avaliação do nivelamento do piso

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, as tolerâncias do piso não devem exceder os valores da tabela abaixo. Além disso, calços com altura maior que 60 mm não são permitidos. Caso ocorra um desnivelamento de piso maior que o indicado na tabela, é extremamente importante corrigi-lo de maneira a não comprometer o funcionamento dos equipamentos de movimentação.

3.4 Limpeza

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, os elementos que compõem a estrutura devem estar livres de produtos que possam causar corrosão do aço ou danificar a camada de pintura. É necessário evitar o contato direto com a água.

3.5 Sinalização

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, recomenda-se utilizar placas de identificação da carga máxima admissível na estrutura.

3.6 Iluminação

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, a iluminação mínima nos corredores operacionais deve ser de 200 lux.

3.7 Condição física dos paletes

A utilização de paletes padronizados e em bom estado de conservação é de fundamental importância. Seu sistema de armazenagem foi projetado para utilizar os seguintes paletes normatizados: PBR I e/ou PBR II. A figura abaixo representa esses paletes.

Para garantir uma utilização correta do produto, siga as recomendações abaixo:

  • Evite paletes com altura não uniforme nos blocos de apoio, pois isso pode alterar a distribuição da carga sobre as longarinas;
  • Salientes ou sarrafos soltos na parte inferior do palete podem provocar a torção longitudinal da longarina ou forças laterais no momento da colocação ou retirada do palete, não previstos no projeto.

3.8 Estrutura de Porta Palete

3.9 Equipamentos utilizados

Abaixo são apresentados os principais equipamentos utilizados pelo time de inspeção da Bertolini S/A. Na primeira figura, apresenta-se o medidor de nível de piso e prumo a laser, usado principalmente para a verificação do desnivelamento do piso e o prumo (alinhamento) da estrutura. Já na segunda figura, mostra-se o medidor de distância a laser (trena a laser). Ambos os equipamentos são da marca HILTI, que são os melhores e mais precisos em suas medições.

Para medir a espessura das peças que compõem a estrutura, utiliza-se o equipamento conhecido como micrômetro, representado na primeira figura abaixo. Na segunda figura, é apresentado o Luxímetro digital, usado para verificar a iluminação nos corredores operacionais.

3.10 Classificação quanto ao risco da estrutura

3.10.1 Risco Pequeno (Verde) – Requer acompanhamento

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, danos que não excedem os parâmetros indicados anteriormente são considerados de risco pequeno. Isso significa que o dano nas peças não é crítico. Esse tipo de dano deve ser reportado para futuras inspeções, a fim de avaliar o progresso do dano.

3.10.2 Risco Médio (Laranja) – Descarregar assim que possível

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, danos que excedem em até duas vezes os parâmetros indicados são considerados de risco médio. Isso indica que a estrutura foi danificada e deve ser reparada, mas não precisa ser imediatamente descarregada. Entretanto, uma vez descarregada, não deve ser carregada novamente até que os reparos sejam realizados. Na prática, as peças nessas condições devem ser reclassificadas para risco alto se os reparos não forem realizados dentro de quatro semanas.

3.10.3 Risco Alto (Vermelho) – Descarregar imediatamente

De acordo com a Norma ABNT NBR 15524-2/2007, danos que excedem mais de duas vezes os parâmetros indicados são considerados de risco alto. Isso demonstra que a estrutura foi severamente danificada e deve ser imediatamente descarregada. Os reparos só podem ser realizados após uma análise estrutural e com posterior autorização do fabricante. O usuário deve isolar a área e o descarregamento só deve ser realizado na presença de um inspetor.

3.11 FREQUÊNCIA DE INSPEÇÃO

Quanto à frequência das inspeções, segundo a norma ABNT NBR 15524-2/2007, deve-se considerar a rotatividade dos produtos a serem armazenados e, com base nisso, definir a frequência da análise. Podem ser utilizados os seguintes métodos:

a) Inspeção diária: deve detectar anomalias facilmente visíveis, como longarinas ou montantes deformados, falta de prumo na instalação, recalques no piso, ausência de calço, unidades de carga deterioradas, etc. A reparação deve ser feita imediatamente; b) Inspeção semanal: deve detectar a verticalidade e o alinhamento da estrutura e de todos os elementos do 1º e 2º níveis, com notificação, qualificação e comunicação dos danos; c) Inspeção mensal: deve verificar, além da verticalidade da instalação de todos os níveis, aspectos gerais de ordem e limpeza, com notificação, qualificação e comunicação dos danos; d) Inspeção anual: realizada por pessoal técnico do usuário ou fabricante, deve verificar todos os itens acima, com notificação, qualificação e comunicação dos danos; e) Inspeção extraordinária: realizada quando ocorrer qualquer evento que comprometa a integridade da estrutura.

A inspeção da estrutura foi realizada com registro de fotos, aferição das medidas e observância das principais características das estruturas.

3.12 LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO

Com a finalidade de expor os pontos críticos e detalhes da situação atual da estrutura, algumas imagens são demonstradas a seguir, a fim de representar os locais mais preocupantes e detalhes das estruturas instaladas no local.

3.13 ITENS VERIFICADOS

A tabela abaixo apresenta todos os pontos abordados na inspeção, na qual é verificada a conformidade para cada item.

4. CONCLUSÕES

Após estudo do material coletado em vistoria, a Bertolini S/A conclui que as estruturas “Porta Paletes” encontram-se em crítico estado de conservação e é de suma importância que haja seu descarregamento e alívio de cargas até as correções necessárias nas áreas sinalizadas em projeto. Com relação ao Mezanino o parecer é que e estrutura encontra-se em bom estado de conservação não sendo necessário quaisquer adequação.

4.1 COLUNAS DANIFICADAS

Durante a análise verificamos diversas colunas com avarias, estes pontos requerem especial atenção, pois se configuram em situações de risco de colapso da estrutura. Desta forma, torna-se imperativo destacar que é imprescindível, para a segurança da operação desta estrutura, que todas as colunas danificadas, indicadas na Planta Baixa em vermelho, tenham o alívio completo de cargas aplicadas sobre elas, o que implica no completo e imediato descarregamento de todas as longarinas que estejam conectadas a estas colunas. O retorno à utilização normal de todas estas posições que necessitam de imediato descarregamento somente poderá ser executado após a completa substituição e/ou reparo de todas as peças danificadas. Outro ponto a destacar, é que as peças danificadas e identificadas na cor laranja deverão ter alívio das cargas completas no prazo máximo de 30 dias. No entanto, a operação nestes locais deverá ser realizada com cuidados redobrados.

4.2 PROTETORES DE COLUNA E MONTANTE

O ponto mais crítico encontrado durante a inspeção foram as colunas danificadas, sendo que na maioria dos casos as colisões foram próximas ao piso, para segurança da estrutura e durabilidade das colunas iremos realizar um orçamento em paralelo dos acessórios denominados protetor de pilar e protetor de montante conforme representados na imagem abaixo.

4.3 CORROSÃO POR CLORETOS

Foi encontrado elevado nível de corrosão em algumas peças onde as mesmas foram etiquetadas e também demarcadas no projeto, nestes casos a orientação é que seja substituída a peça pois é visível que a corrosão já está comprometendo a espessura do aço. O problema deve se ao ataque de cloretos sobre o tratamento superficial aplicado. É de suma importância que seja realizado uma limpeza geral nas estruturas, haja em vista que com o grande acúmulo de poeira juntamente com a humidade acarreta no surgimento a longo prazo da corrosão. Deve-se também restaurar todos os pontos que apresentam corrosão, recomendamos proceder da seguinte maneira para fazer a manutenção corretiva nestes locais: 1- Limpar toda a peça, retirando todos os resíduos. 2- Após, lixar os locais oxidados com lixa 100 ou 120 ou com escova de aço, para remover a oxidação. Limpar os resíduos do lixamento com pano, pincel ou ar comprimido. 3- Analisar se o metal está comprometido. Se não, após a limpeza aplicar uma tinta líquida (spray). Se o metal estiver comprometido deverá ser substituído.

4.4 AUSÊNCIA DE CHUMBADORES

Durante a análise verificou se ausência de um sistema de fixação da estrutura com o piso de forma efetiva em alguns locais. Não recomendamos o carregamento desses módulos que estão sem fixação junto ao piso e sugerimos o descarregamento destes até correção.

4.5 AUSÊNCIA DE PINOS DE SEGURANÇA

Conforme a Figura 20, sobre os acessórios de longarinas denominados de pinos de segurança, informamos que a função primordial dos mesmos é evitar o desencaixe destas longarinas nas quais estejam instalados, de sua posição normal de operação. Considerando-se uma eventual força de baixo para cima sob a longarina, quando da operação no nível inferior a esta, pode ocorrer à situação de desencaixe da longarina. Deve-se garantir que todos os pinos estejam devidamente encaixados em sua posição correta. Durante a visita foi encontrado deficiência neste sistema de segurança. Solicitamos ação imediata perante estas situações, visto que não está proporcionando um ambiente seguro á operação normal.

4.6 EMENDA COM SOLDA

Nas situações em que se identificaram adaptações com solda, ocorre alteração na distribuição de esforços na estrutura, podendo interferir no funcionamento do conjunto estrutural o que é de risco gravíssimo. A Bertolini S/A não indica solda para as situações de emenda de colunas e longarinas. Em exceção nos casos das colunas que tiveram a emenda realizada direto na fábrica da Bertolini, pois nesse caso a solda passa por uma inspeção e a mesma é considerada no cálculo da estrutura.

4.7 ILUMINAÇÃO

Como mencionado no item 3.6 a recomendação da Norma para os corredores operacionais é de pelo menos 200 lux, com o auxílio do equipamento de medição foi aferido medidas de até 110 lux, portanto recomendamos a adequação do sistema de iluminação afim de garantir uma melhor visibilidade para os operados de equipamentos de movimentação de cargas.

4.8 IDENTIFICAÇÃO DE RISCO

Durante a vistoria e análise, etiquetas foram coladas nas peças, com o intuito de informar visualmente e alertar sobre as peças que devem ser substituídas. É de responsabilidade do usuário, caso altere as etiquetas da estrutura e quaisquer alterações devem ser comunicadas imediatamente a Bertolini. As etiquetas separam as peças por magnitude e urgência de troca, sendo as categorias descritas a seguir.